Ser Poeta

Olá, gentes!
Quero abrir meu coração e escrever um pouco sobre poesias e poetas. O poeta passa, a poesia é imortal! Como as jóias que superam o tempo e a beleza da dona, as poesias superam o tempo e o amor atual, superam a inspiração, a dedicação e a memória. Por isso, a poesia é tão sublime e preciosa. E é por isso também, que a poesia deveria ser levada a sério, muito a sério pelo objeto do desejo que a inspirou, porque um dia, em alguma curva da vida passageira, ela pode ser o único resgate de emoções do passado e, mesmo com os olhos secos pelo tempo, ela ainda pode tirar uma lágrima daquela que foi tão importante naquele momento para o poeta. Explicar a poesia é torná-la vulgar. A poesia é pública e tem apenas o objetivo de fazer sentido na alma de quem a lê. A poesia, quando inspirada e dedicada a alguém, tem apenas o papel de mostrar para tal pessoa o quanto ela é importante, e o quanto esta pessoa ocupa da alma do poeta. Tal inspiração para o poeta, depois da pessoa habitar o seu íntimo, não é difícil, mas para este precioso ser ocupar tal lugar dentro do âmago do poeta é que são elas... Talvez, por eu saber o quanto é difícil tal abertura e por ser poeta, é que eu sei como a poesia é importante e como uma musa é venerada. Um poeta conquista muitas mulheres, porque sabe o valor que elas têm, sabe como elas precisam de carinho, sabe como elas precisam de amor... é sensível, apenas para agradar o objeto de sua afeição, contrariando até sua natureza de homem. Mas amor, musa, inspiração, são coisas reservadas para mulheres especiais. Um poeta nunca joga palavras fora, sabe o poder que elas têm. Como seria um poeta que tivesse inspiração por todas as mulheres que conhecesse? Ele teria que possuir no mínimo 1000 almas, 500 cabeças, milhares de corações... Não. O poeta escreve para uma mulher: A mulher! Aquela que consegue tirar versos de um poeta, deveria se sentir a mulher mais feliz do mundo, porque como já disse: fazer poesia para quem tem prática é fácil, mas estar inspirado para isto acontecer é raro... Artistas em geral, não enxergam apenas a linda estrela dalva que brilha solitária nos primeiros minutos da aurora. Eles observam as cores que a linda estrela vem puxando atrás de si. As matizes de vermelho e laranja no horizonte que vão seguindo a estrela espantando a noite. Como um poeta colorido de amor seguindo os passos de sua musa. Nesta hora espetacular de harmonia com a natureza e com o amor, o poeta confunde a musa com a própria poesia. Então ele já tem a poesia em forma de mulher, basta escrevê-la. Mas para isso, o poeta precisa da permissão da musa venerada, como as cores da manhã precisam do brilho benigno e convidativo da estrela dalva para o dia nascer feliz. Um poeta reconhece a felicidade em um olhar distante, em um gesto, em um sorriso, em um suspiro ansioso... Um poeta traduz a linguagem dos sentidos que nem mesmo os cientistas conhecem. Como um prisma que deflora a luz branca, o poeta decifra o medo e a inconstância feminina sem compreende-las, critica-las ou desfazer o seu mistério, tão belo e necessário. O poeta ama! Ama, como se fosse o seu último segundo. Ama tanto e tão intensamente que ama além. Ama até os defeitos, os erros, os enganos, o descaso, a desatenção! Ama pura e simplesmente, por querer ver a sua amada feliz! Este sou eu, ou o que tento ser... É um elo de três engrenagens, se uma falhar o encanto acaba, a musa acaba, o poeta acaba, só a poesia fica.
Willian Matt
