sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Ética: A falta de um significado pragmático.

Olá, gentes!

Conversando com uma amiga sobre ética, não pude deixar de pensar e escrever algo sobre esta palavra tão importante e sem significado nos dias de hoje. No berço da filosofia, a alva e clássica Grécia, onde Sócrates (se é que ele existiu... ou foi invenção de Platão?) subia acima de outros olhos curiosos para dialéticamente provocá-los até à contradição e depois vitorioso dizer aos sofistas: "Conhece-te a ti mesmo", a ética repousava no conceito de arethé (excelência, virtude). Esta busca dos hi-per-ci-vi-li-za-dos gregos pela perfeição moral, era uma tentativa de mostrar para a humanidade que as ações de vontade própria teriam eticamente que convergir para o bem comum. Havendo razão, livre-arbítrio e a inclinação - supondo que a natureza do homem tende para o bem (difícil de acreditar nos dias de hoje, mas...), admite-se a existência de um valor absoluto que é o Bem Supremo. Então nossas ações teriam que ser direcionadas para o bem de todos, o que se comporta desta maneira possui ou deseja possuir a perfeição moral.
Immanuel Kant vai um pouco mais além, e diz que a significação moral dos atos humanos reside, não na satisfação das tendências ou na realização dos fins, mas na retidão dos propósitos. Muito mais profundo e amplo no conceito da ética, Kant com sua ética formal, ensina que esta só é moralmente valiosa quando, além de concordar com o que a norma prescreve, realiza o dever pelo próprio dever, isto é, pelo respeito à exigência ética, independentemente de qualquer interesse ou prazer. A norma básica desta doutrina é o imperativo categórico: "Proceda sempre de tal modo que o princípio de sua ação possa ser elevado à categoria de lei universal." Kant.
Bem, até aqui tudo muito bonito e sublime, o ouro nas vísceras do ser humano, tudo como deveria ser realmente, se esta nave-mundo estivesse indo para esse lugar que os filósofos sonharam para a humanidade. O único problema é conseguir traduzir estas belas palavras e teorias morais em um mundo onde nem a vida tem mais valor. Com o devido tempo, as palavras não servem mais como sinônimos, pois há culturas que nem sempre se completam e há passados que podem sempre mudar. Ainda que tivéssemos uma tradução precisa, a arethé não teria, hoje, correspondência quanto ao seu significado pragmático. Os tempos são outros, e se no princípio era o verbo, com a chegada do verbo (e da verba) mudaram-se os princípios.
Não sou pessimista, porque o pessimista sempre diz: Eu sabia! E o otimista está sempre se surpreendendo, como o filósofo e/ou poeta, mas confesso que venho cansado neste navegar insólito. Perco pouco a pouco a fé na humanidade do ser humano, que mais está me parecendo um vírus matando o seu hospedeiro, o planeta. Estamos nos afastando tanto da ética... de qualquer uma delas, de qualquer escola ou doutrina, de qualquer filósofo, ou manual de convivência empresarial ou de relações no ambiente de trabalho, ou do direito, ou das próprias relações interpessoais do cotidiano. Porque antes da ética, existe toda uma aprendizagem moral para a prática da ética. Primeiro, teríamos que aprender de novo o básico: Bom dia! Por favor! Obrigado! Abrir uma porta sem esperar obrigado, levantar para outra pessoa sentar, sorrir... O básico para darmos um novo passo: À educação. Depois à cultura. E assim até construirmos uma nova geração de homens e mulheres onde o consumo imediato, o prazer sem limites, a individualismo nefasto, o orgulho arrogante, o racismo, o preconceito, a violência, a estupidez e a incompreensão... serão apenas defeitos de um passado imperfeito que vamos querer esquecer como o holocausto ou qualquer outro genocídio.
Willian Matt

Eu prefiro rir!

“Choramos ao nascer porque chegamos a este imenso cenário de dementes.” Shakespeare.

Pois então, se estamos fadados a caminhar vacilantes por este vale de lágrimas, eu escolho sentar e dar risadas. Aproveitem: Terça Insana - SEU MERDA!



Cabeça Se Equilibrando Numa Lata
Advogados Rio de Janeiro
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